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Sócia do Tatu Bola presa pela PF em Cuiabá chora em audiência e afirma não saber motivo da prisão; vídeo
Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro foi presa na terça-feira (25) por suposto envolvimento com organização responsável pelo transporte de drogas e armas em aeronaves
Por Administrador
Publicado em 27/08/2026 09:45
Geral

A empresária e advogada Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, presa preventivamente na terça-feira (25) no âmbito da Operação Bóreas, deflagrada pela Polícia Federal contra uma organização criminosa suspeita de transportar drogas e armas em aeronaves, chorou durante audiência de custódia e afirmou estar se sentido como uma “prisioneira federal” durante o cumprimento do mandado de prisão. Ela é sócia do bar Tatu Bola, que fica localizado na Praça Popular, em Cuiabá. 

Thatiana Rabelo foi presa por volta das 14h de terça-feira e levada para a sede da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para exame de corpo de delito e, posteriormente, para a Superintendência da Polícia Federal.

Eu fui levada como se fosse uma prisioneira federal até à Politec”, disse a empresária.

Segundo relato da empresária durante a audiência de custódia, ela não sabia o motivo da prisão até então, apenas que a ordem havia sido proferida pela 4ª Vara Federal de Palmas, no Estado do Tocantins.

Ela declarou ainda que tem um irmão, Márcio Rabello Mesquita Theodoro, que foi preso em flagrante no ano passado pilotando uma aeronave Cessna 210M, prefixo PS-PIX, que pousou irregularmente em uma pista localizada na zona rural de Caseara, no Tocantins. A aeronave estava carregada com aproximadamente 475 kg de cloridrato de cocaína e pasta base, acondicionados em tabletes, além de aproximadamente 787 g de maconha/haxixe.

Além desse episódio, Márcio Rabello já registrava antecedentes por tráfico de drogas e, em 2015, foi alvo da Operação Hybris, deflagrada pela Polícia Federal para desarticular uma quadrilha de traficantes.

“Eu não sei do que se trata. Eu tenho um irmão que está preso fora. Imagino que deve ser algo ligado a ele por conta do mandado lá de Tocantins”, afirmou.

“Eu estou me sentindo em um mundo totalmente fora da minha realidade. Eu tenho horário pra chegar no trabalho, eu tenho um comércio que é público, minhas redes sociais são abertas, eu tenho endereço fixo, eu declaro imposto de renda, eu não faço ideia do fundamento ou como, com todo respeito ao Poder Judiciário, foi decretada uma preventiva. Eu nunca pisei em uma delegacia, eu nunca fui chamada pra ouvir nada, eu nunca tive o nome no Serasa pra hoje estar aqui na Polícia Federal. Talvez eu durma aqui hoje”, completou Thatiana.

Após o depoimento, o advogado da empresária, Fernando Faria, alegou que a empresária tem uma filha de 9 anos de idade e pediu a conversão da prisão preventiva em medidas cautelares ou em prisão domiciliar.

Contudo, nem o juiz federal Jeferson Schneider, que conduzia a audiência, nem o Ministério Público Federal (MPF) tiveram acesso à decisão que culminou na prisão de Thatiana Rabello. Por isso, o pedido não foi analisado, e os autos da comunicação de prisão foram encaminhados para a 4ª Vara Federal Criminal do Tocantins, responsável por decidir sobre a manutenção ou não da prisão.

Supostas ilegalidades

O advogado Fernando Faria classificou como ilegal e desnecessária a prisão de sua cliente. Segundo o jurista, não há elementos concretos que justifiquem a prisão ou comprovem a participação de Thatiana nas atividades investigadas.

Fernando Faria afirma que um dos elementos utilizados para fundamentar a medida seria uma mensagem trocada entre Thatiana e o irmão em 2024. Ele sustenta que a conversa trata de um assunto sem relação com os fatos apurados pela Polícia Federal.

lém de questionar os fundamentos da prisão preventiva, o advogado apontou supostas irregularidades no cumprimento da busca e apreensão. Segundo ele, um dos agentes responsáveis pela diligência pegou o celular desbloqueado de Thatiana quando ela pretendia fazer uma ligação para um advogado.

O advogado relatou que o aparelho foi colocado em modo avião e guardado no bolso pelo delegado, sem ser lacrado. Ainda conforme a versão apresentada pela defesa, houve manuseio do celular antes da chegada do representante do Tribunal de Defesa das Prerrogativas (TDP) da OAB, o que, na avaliação do advogado, comprometeu a cadeia de custódia do material.

Já o representante do TDP afirmou que foi informado sobre o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e de prisão de Thatiana Rabelo trinta minutos antes, em desacordo com o provimento da OAB Nacional, que estabelece a antecedência mínima de 12 horas, sempre no dia anterior aos respectivos cumprimentos de mandados.

Operação Bóreas

A Operação Bóreas foi deflagrada na terça-feira (25), pela Polícia Federal, contra uma organização criminosa suspeita de transportar drogas e armas em aeronaves. A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal no Tocantins, com participação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado e de agentes federais do Pará.

De acordo com as investigações, um grupo criminoso organizava voos, utilizava pistas clandestinas e fornecia suporte logístico para transportar grandes carregamentos de cocaína e armas provenientes da Bolívia e do Peru.

Além da prisão de Thatiana Rabelo Mesquita Theodoro, a PF cumpriu outros dois mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão.

Também foram executadas medidas de apreensão de aeronaves, bloqueio e sequestro de bens e valores, determinadas pelo Juízo da 4ª Vara Federal de Palmas. A Polícia Federal também solicitou a inclusão de dez investigados na lista de Difusão Vermelha da Interpol.

Os investigados poderão responder pelos crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Fonte: Reporter MT

 

 

 

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